Tiros na Colombina houve um dia um risco em trilha ninguém queria as encostas frias
aos sempre excluídos a reta em círculos fosso de indícios o alívio em vícios é carência insistente categoria indecente se arrasta a serpente sem nome: indigente de cima do alto enxotados do asfalto a grita em contralto e oferecem o assalto no morro o ataque cidadania mais tarde discurso em alarde !raiou a liberdade no tanque da canalha ?na metralhadora se trabalha ?se tem roupa na mortalha ?vira gente a gentalha ?quando a escola abriu ?quando pro emprego partiu ?quando a saúde não feriu ?quando o salário supriu só dá pra acreditar que um e um são par quando o tanque entrar na sala com carpete e ar será que vai o estrondo e bala pra cima do bando que tá sempre armando ?e usa colarinho branco é bom ou é vil justiça com fuzil o alvo esvaiu volte donde partiu do alto da arquibancada o saci vê tudo e nada pergunta pra cuca danada: ?quando é a próxima emboscada (texto apresentado na noite de 1º de dezembro no sarau da cooperifa uh!)
Escrito por Saci-bola às 21h03
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Coincidências? Há dias, ou noites, em que ocorrem situações, imagens quase idênticas em um curto espaço de tempo. É como se nos perseguisse, naquelas poucas horas, uma mesma sombra, embora com os ponteiros do relógio completamente diferentes. Segunda-feira, 29 de novembro, 10h05 da manhã. Um belo e aconchegante sol abre o dia. É. Abre para quem, como eu, acorda pelas sete, sete e qualquer coisa da manhã. Sei, muito bem, que muita gente, como se diz no Interior, acorda com as galinhas. Ainda escuro, mesmo com o horário de verão, como aqui no Sudeste. Ponto final da linha 5630-10 (que vai ao Terminal Grajaú, no extremo Sul da cidade), da Viação Cidade Dutra, junto à estação Metrô Brás. O motorista do ônibus placas ECT-1062, desce do coletivo falando ao celular. Uma senhora, idosa, acompanhada por uma amiga, pergunta ao “profissional” se ela pode entrar pela porta de trás para fazer a viagem com a amiga nos bancos depois da catraca. Na cidade de São Paulo, a entrada é feita pela porta da frente. O condutor mal ouve o que a idosa diz. Abana a mão direita para o alto, assim como a gente faz com quem temos uma ira absurda, como a dizer “entra aí e não enche!”. As duas senhoras entram pela porta da frente e ocupam os bancos antes da catraca, ao contrário do desejo expressado pela passageira. Às 10h13, o ônibus sai. O motorista, aparentemente tão hábil quanto um acrobata do Teatro Mágico, continua falando ao celular e com o coletivo em movimento. Ele também não usa o cinto de segurança. Somente dois pontos à frente o coloca. Seis minutos mais tarde, dois quilômetros percorridos, aproximadamente, na região do Parque D. Pedro II, no Centro da Cidade, eu reclamo ao cobrador de o motorista estar dirigindo e falando ao telefone. O cobrador olha para mim, abaixa e cabeça, dá um leve sorriso e nada diz. Aliás, disse sim, internamente: “quem deve ser esse maluco que reclama de uma bobagem dessa, enquanto que no Rio de Janeiro está havendo uma guerra?” Junto da catraca, falo alto ao motorista: “ei, motorista! O senhor não pode dirigir e falar ao celular ao mesmo tempo!” Ele pára a ligação e fala algo inaudível, faz uma careta. Mais parecendo uma perseguição, na mesma manhã, às 11h50, tomo um outro ônibus, mas da mesma linha, da mesma empresa, carro número 61984, na avenida 23 de Maio, que ia no sentido do Brás. Um senhor, antes de descer em um dos pontos seguintes, reclama do cobrador e do motorista, algum procedimento que julgou inadequado a um passageiro ou sobre o funcionamento de algum equipamento do coletivo. Não foi possível ouvir, os ônibus não são o melhor exemplo de conforto sonoro. Aliás, conforto não passa de uma palavra. Seja no Cafundó ou no Centro. Por certo, muitos poderão dizer que a “culpa” é do motorista, talvez até do cobrador. Certo é que, por mais certo, cabe a pergunta: “quem ganha dinheiro com o transporte público? Será que ele tem o mesmo cuidado de contar a féria do dia com o treinamento, conscientização e boas condições de trabalho aos seus empregados – que, nos últimos tempos, são chamados de colaboradores? (Este texto, além de publicado aqui no daarquibancada, está sendo remetido à empresa, ao setor responsável pelo transporte público municipal de São Paulo e a quem mais o Saci-passageiro julgar importante)
Escrito por Saci-bola às 10h39
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Qualé Aê! Olá Evoé! Saravá! Pedem compreensão bondade e honestidade e devolvem repressão! Falam de oportunidade e na hora da divisão sobra só uma saudade!
Aê! Olá! Evoé! Saravá!
Querem compostura cara de sorridente devolvem só usura
Te fazem de importante sempre na captura de suor e sangue quente
Aê! Olá! Evoé! Saravá!
A promessa é paraíso mas com muito empenho te enganam com sorriso
Aê! Olá! Evoé! Saravá!
Escrito por Saci-bola às 09h57
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PARA O ZÉ É, JOSÉ. MEU CARNAVAL TERÁ DE SER MAIS ALEGRE DO QUE OS ANTERIORES. AFINAL, EU, E MUITA GENTE, VAMOS CANTAR E DANÇAR COM MUITO MAIS DISPOSIÇÃO. EU, E MUITA GENTE, VAMOS NOS FANTASIAR – OU SERIA NOS TORNAR MAIS VERDADEIROS – E NOS PINTAR MUITO MAIS. OS CAMINHOS DE SÃO LUIZ DO PARAITINGA, SÃO PAULO ONDE FOR, ASSIM COMO A GENTE, DESDE O DOMINGO, ESTÃO SAUDADES DE VOCÊ. SEU CHAPÉU, SEUS ÓCULOS ESCUROS, SEUS BLOCOS PREFERIDOS E AS CONVERSAS SOBRE A INTIMIDADE PÚBLICA DOS FOLIÕES E FOLIÃS CONTINUARÃO AINDA MAIS ANIMADOS. POR CERTO, EM MEIO ÀS LADEIRAS QUE NOS CARREGAM SEMPRE, TANTO PARA CIMA, QUANTO PARA BAIXO, AS VÁRIAS ENTIDADES QUE NOS ACOMPANHAM TÊM, AGORA, A SUA COMPANHIA. MUITO ALÉM DAS DIVERTIDAS, ÀS VEZES PROVOCADORAS DISCUSSÕES SOBRE A IRREALIDADE DA REALIDADE E A MORBIDEZ DA VIDA, CONTINUAM CONOSCO SUA PERSPICÁCIA, GENTILEZA E RESPEITO. É, ZÉ... SOBRE OS TELHADOS DA NOSSA CIDADE, QUE UM DIA FICARAM COBERTOS DE ÁGUA E LAMA, AGORA PAIRA UM AR DENSO, PESADO, DESSES DIFÍCEIS DE INSPIRAR. MAS AGORA É QUE SABEMOS O QUANTO TEMOS DE SER INSPIRADOS PRA NOS TORNARMOS ALGO UM POUCO MELHOR. MAS FIQUE SABENDO QUE, DESDE QUANDO VOCÊ PARTIU, OS VERSOS DE QUE “TEM QUE GRITAR, TEM QUE MOSTRAR, TEM QUE CANTAR” GANHARAM MIAS UM NOVO SIGNIFICADO. ESTAMOS AÍ, CAMARADA. EVOÉ. E LÁ DO ALTO DA ARQUIBANCADA, O SACI-NADA APROVEITA PARA BRINDAR COM UÍSQUE E GELO, E UM BOM CIGARRINHO, QUALQUER COISA QUE NÃO SEJA A TRISTEZA.
Escrito por Saci-bola às 12h08
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