Cam bu, sim! chove. muito. graças, que não é culpa do prefeito. porque essa chuva que vem é boa. porque purifica. por ser assim, jamais estará contaminada por votos.
e essa moça, do cabelo que enrola, ainda mais na umidade. se esconde na transparência do salão de cabeleireira. será que ela entenderá que aquela gente, do outro lado da porta de vidro, brinca, canta, pula debaixo da chuva porque estará lavada. Límpida / limpa / transparente. Extasiada?!
o negro elegante de camisa branca e calça preta. a mãe viciada na droga que lhe deixaram viciar, além da filha, isabela. o ex-futuro cantor romântico, amigo de todas as estrelas. o músico que, de tão popular, acha que Chopin deve ser servido gelado e com colarinho médio. os cães vadios, sempre eles, passeando e guardando. Passistas negras que empalidecem de desejo homens que se vestem como mulher.
a repórter do canal de televisão pata de elefante: onde pisa; fode. os poliça que, mais uma vez, veem o povo se esbaldar por eles. Há olhos por janelas pequenas, de puxadinhos novos, de casas antigas.
não falem que a ressaca do cambuci é coisa e tal. não revelem que seu zinho e sua turma são do balacobaco. esqueçam essa gente que consegue, no veneno, sobreviver sem vocês:
homens togados. ou que buscam votos. ou que carregam insígnias.
essa gente que brinca no carnaval, e onde mais der, quer distância, pra poder ter eloquência, sanidade e, quando der, muita ressaca e felicidade.
e lá do alto Da Arquibancada, o Saci-cambuci, que sai de bahiana no carnaval, entre um confete e outra serpentina medita: a carne... vale. Saravá!
Escrito por Saci-bola às 00h07
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Que chuva, não? (I) o homem e a mulher de neanderthal olham pro céu. nublado, muito nublado. um cinza escuríssimo que beira o preto.
raios, raios duplos! como diria dick vigarista, ziguezagueiam os horizontes no globo azul feito veias saltadas de estivadores.
Trovões ribombam capazes de todo semisurdo ouvir!
O homem e a mulher de neanderthal, antigos pra caralho, sacam que é hora de se recolher à caverna.
ele e ela não ocupam a margem do rio. não jogam lixo, não assoreiam.
eles, no máximo, se lavam e dão uma cagadinha e uma mijadinha no rio!
nunca, jamais, têm suas roupas de peles, piranhas pro cabelo feitas de osso de pterodáctilo e clavas de mogno levadas ou inundadas por estas ou aquelas águas!
e lá do alto Da Arquibancada, o Saci-boia quase tem um piripaqui: “pô! mas se beira de rio é várzea, se alto de morro é de terra mole-mole, por que não se instalar no meio do caminho? CARALHO!?” questiona a criatura, mimosamente, depois de acender seu cachimbo com uns fumos vindos de lugares quentes.
Escrito por Saci-bola às 00h38
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Águas de São Paulo
Uma pesquisa: que muitos querem te deixar. Por certo. Aqui tem dinheiro, grana, sucesso. E “fracasso” em todo lado.
Um desejo: de ser “alguém na vida”. Incerto. Aqui tem concurso, fama, cansaço. E malas em excesso.
Aí te comemoram quatro, cinco, seis. Um monte de muitos anos. Quem perguntou se gostamos?
Mas veio a chuva... Trazendo lembranças doces futuros erráticos passados amargos.
Mas é 25 de janeiro, antes do Carnaval. Um passo pra cá, outro pra lá. Resolve um retiro espiritual? Que mal há?
Se alguém não quis Nem perto, se molhar. Deixa então, talvez olhar.
A todo questionamento nada, nada cabe mais do que silêncio! Psiuuuuuu.
E lá vai a enxurrada... ladeira acima...
Escrito por Saci-bola às 22h38
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Anda, Hadija Enquanto alguns se enroscam nos escombros Sorrindo pras câmeras e se perdendo em discursos Lá vai ela sendo desejada por cães vadios quase planando, andando e cagando. Há no ar uma qualquer coisa de espanto Há 24 dias, Nautilus passou por Paraitinga Assombrou gente puritana e que xinga Há um quê qualquer de quase esquecimento Atentos os sobreviventes da Atlântida Miram-se no rio que virou mar E lembram que esquecer é forma meio cínica de sem dizer não, sem negar E lá vai aquela simpática que anda e caga pra latidos e abanos de humanos em hipocrisias embora encoleirada, Hadija é quem nos leva entre o que restou de crença, fé e heresias Como ela, a canina Sol nos garante Com porte e voz de duquesa tão gentil e inofensiva feito freira que é possível seguirmos adiante O mesmo não se pode dizer do frango Sem nome, mas de dono Gilmar Em meio ao início da volta à vida foi saboreado num prato invulgar Embora não seja nem perto do inverno bois marrons e a vaca preta feito princesa a água lívida que lembra coisa do inferno sucumbe diante dessa nova sobremesa e o povo reza no lugar possível cânticos reforçam os cérebros e espíritos corre no rio a água em correria incrível lágrimas mais há nos olhos dos desvalidos e assim está lá diferente do que era quando se fosse em tempo de estio mas está mais forte, graciosa e receptiva essa gente da cidade da beira do rio. E lá do alto Da Arquibancada, o Saci-bola, que não nada nem com bóia e patinho de borracha, jura que, daqui a pouco, dará umas bandas com essa tal de Hadija, pela companhia e esse estilo próprio de andar por aí.
Escrito por Saci-bola às 00h08
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